- O que importa antes da pontuação
- Cartões que fazem sentido em perfis diferentes
- Para quem já concentra uma boa fatura: C6 Carbon
- Para quem tem relacionamento com o Itaú: Personnalité Black Pontos
- Para quem viaja bastante e já está no segmento alta renda: Santander Unlimited
- Para quem quer começar sem complicar a vida
- Como descobrir se a anuidade se paga
- Pontos ou cashback: qual é melhor para viagem?
- Três erros que eu evitaria
- Minha opinião: o melhor cartão é o que cabe na sua conta
Quando alguém procura o cartão que mais dá pontos, a resposta parece simples: basta escolher o maior número de pontos por dólar. Na prática, é justamente aí que muita gente começa a perder dinheiro.
Um cartão pode prometer 4, 5 ou até mais pontos por dólar, mas cobrar uma anuidade alta, exigir uma fatura que você não mantém ou pedir um volume de investimentos que não faz parte da sua realidade. Eu prefiro olhar para a conta inteira: quanto custa ter o cartão, quanto você realmente concentra nele e como aqueles pontos podem virar uma viagem.
Este não é um ranking de luxo. É um caminho para você escolher um cartão para acumular milhas sem cair na armadilha de perseguir benefício que, no fim, não se paga.
O que importa antes da pontuação
Pontos por dólar são só uma parte da história. Para comparar dois cartões, eu olharia estes cinco pontos antes de pedir qualquer um:
- Anuidade real: não considere apenas a promessa de isenção. Veja se a meta de gasto ou investimento cabe na sua rotina todos os meses.
- Forma de acúmulo: confirme se a pontuação vale para compras nacionais, internacionais ou ambas, e se os pontos expiram.
- Programa de recompensas: pontos flexíveis, que podem ser transferidos para programas aéreos, costumam dar mais liberdade. Mas essa transferência só vale se você souber usar.
- Salas VIP: acessos limitados podem ser ótimos para quem viaja uma ou duas vezes por ano. Para quem quase não voa, não justificam uma anuidade cara.
- Custo das compras no exterior: pontos extras não apagam automaticamente spread cambial, IOF e outras cobranças. Para gastos fora do Brasil, compare o custo final, não só a pontuação.
Olha, um cartão de 2 pontos por dólar com anuidade zerada pode ser uma escolha melhor do que um de 4 pontos por dólar que obriga você a gastar mais do que gastaria normalmente. Milhas servem para economizar em viagens, não para criar uma despesa nova.
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Conhecer o canalCartões que fazem sentido em perfis diferentes
As condições abaixo foram consultadas nas páginas oficiais dos emissores em agosto de 2026. Bancos podem alterar benefícios, regras de isenção e elegibilidade, então vale conferir o regulamento antes de contratar.
Para quem já concentra uma boa fatura: C6 Carbon
O C6 Carbon é um exemplo claro de cartão que pode funcionar para quem já tem gasto recorrente alto. Ele informa acúmulo de até 3,5 pontos por dólar e pontos que não expiram. A anuidade informada é de 12 parcelas de R$ 98, com isenção integral para fatura mensal a partir de R$ 8 mil ou R$ 50 mil em CDBs do próprio banco.
O cartão também prevê quatro visitas anuais às salas parceiras DragonPass e W Premium por conta, compartilhadas entre titular e adicionais. É um pacote interessante para quem concentra gastos de verdade, mas não é uma desculpa para deslocar despesas ou comprar a mais só para bater meta. Se R$ 8 mil não é sua fatura natural, faça a conta da anuidade antes.
Para quem tem relacionamento com o Itaú: Personnalité Black Pontos
O Itaú Personnalité Black Pontos acumula 2 pontos por dólar em compras nacionais e 3 em compras internacionais, com pontos que não expiram. A anuidade divulgada é de R$ 1.056 por ano, mas pode ser zerada para quem mantém pelo menos R$ 50 mil investidos no Personnalité, gasta a partir de R$ 10 mil por fatura ou atende aos critérios do programa Minhas Vantagens.
Para esse perfil, o cartão é uma opção equilibrada: a pontuação não lidera os rankings de cartões ultraexclusivos, porém a regra de isenção pode ser mais alcançável para quem já tem relacionamento no banco. Ele inclui dois acessos anuais pelo LoungeKey, além da sala do Itaú em Guarulhos. Eu o colocaria na lista de quem quer pontos sem assumir uma anuidade apenas para ostentar uma categoria Black.
Para quem viaja bastante e já está no segmento alta renda: Santander Unlimited
O Santander Unlimited tem uma proposta mais exigente. Para clientes Select, a página do banco informa 3 pontos por dólar em compras nacionais e 3,6 em internacionais. Para clientes Private, são 3,5 e 4 pontos, respectivamente. O Santander Rewards pode elevar esses números, de acordo com o relacionamento do cliente.
Em contrapartida, a isenção total de anuidade depende de fatura a partir de R$ 30 mil ou de R$ 5 milhões investidos no Santander ou na Toro, conforme as condições divulgadas. Os acessos a salas VIP são amplos para titular e adicionais, com oito entradas anuais de convidados para o titular. É uma escolha coerente para um perfil que já atende a essas faixas, não para quem está começando a juntar milhas.
Para quem quer começar sem complicar a vida
Você não precisa começar com um Black. Aliás, eu acho mais inteligente ter um cartão sem anuidade ou com isenção confortável e aprender a usar os pontos do que pagar caro por uma pontuação que fica parada. O primeiro objetivo é acumular com consistência: centralizar despesas que você já teria, acompanhar o extrato e entender quando transferir os pontos.
Quando a fatura cresce de forma natural, aí sim você reavalia a categoria. Um upgrade que acompanha sua vida financeira costuma ser melhor do que entrar em uma meta de gasto que vira pressão mensal.

Como descobrir se a anuidade se paga
Faça uma conta simples antes de olhar benefícios de aeroporto. Multiplique sua fatura mensal por 12 e estime quantos pontos o cartão entregaria em um ano. Depois, compare esse total com a anuidade.
Exemplo: se você gasta R$ 5 mil por mês e o cartão cobra anuidade de R$ 1.176, a pergunta não é apenas quantos pontos ele gera. A pergunta é se você conseguiria extrair mais de R$ 1.176 de valor deles, sem comprar milhas caras, resgatar produtos ruins ou emitir uma passagem que não faria sentido para você.
Salas VIP entram nessa mesma lógica. Se você usaria os acessos em viagens que já faria, eles têm valor. Se precisa marcar uma viagem para justificar o cartão, o benefício virou custo disfarçado.

Pontos ou cashback: qual é melhor para viagem?
Não existe vencedor automático. Cashback é simples: você recebe parte do dinheiro de volta e usa como quiser. Pontos podem render mais em uma emissão aérea bem planejada, especialmente em promoções de transferência bonificada, mas exigem atenção a regras, disponibilidade e validade.
Eu recomendo pontos para quem tem vontade de aprender o básico de milhas e consegue esperar pelo momento certo de transferir. Para quem não quer acompanhar campanhas ou tem pouca previsibilidade de viagem, cashback pode ser mais honesto. O pior cenário é pagar por um cartão de pontos e resgatar tudo em produtos com valor baixo.
Três erros que eu evitaria
- Escolher pelo maior número da propaganda: pontuação máxima quase sempre vem acompanhada de regra, assinatura ou segmento bancário específico.
- Usar cartão de crédito para gastar mais: pontos não compensam juros, parcelamento mal planejado nem dívida no rotativo.
- Transferir pontos sem plano: antes de mandar pontos para uma companhia aérea, confira a validade das milhas, as rotas que você quer e se há uma campanha que melhore a conversão.
Minha opinião: o melhor cartão é o que cabe na sua conta
O melhor cartão para acumular milhas é aquele que você consegue manter sem esforço e usar com estratégia. Para quem já tem fatura alta ou investimentos concentrados, um cartão premium pode entregar boa pontuação e conforto no aeroporto. Para a maioria das pessoas, uma opção sem anuidade ou com isenção fácil, combinada com disciplina, vai levar mais longe.
Antes de fechar uma emissão, eu também recomendo organizar a viagem inteira, não apenas a passagem. Neste guia para planejar uma viagem internacional, eu mostro uma ordem prática para cuidar de documentos, reservas e orçamento.
Comece pelo seu perfil, não pelo cartão mais caro da vitrine. É assim que pontos deixam de ser um número bonito e passam a ajudar você a viajar.

