- As salas VIP ficaram parecidas com as áreas comuns do aeroporto
- Quando todo mundo é VIP, a exclusividade perde o sentido
- Os bancos estão dificultando o acesso gratuito
- Nem todo cartão premium entrega a mesma sala VIP
- As salas VIP da LATAM ainda são um ponto fora da curva
- Vale a pena enfrentar a fila da sala VIP?
Quando uma sala VIP de aeroporto começa a ter fila na porta, gente esperando para sentar e comida que não passa de salgadinho, alguma coisa saiu do lugar. A promessa era oferecer conforto e exclusividade. Na prática, em muitos aeroportos do Brasil, o lounge virou uma extensão da sala de embarque.
Eu acho que a frase resume bem o momento: quando todo mundo é VIP, ninguém é VIP. O acesso às salas se popularizou, os cartões premium foram distribuídos para um público cada vez maior e o efeito manada apareceu justamente onde a experiência deveria ser mais tranquila.

As salas VIP ficaram parecidas com as áreas comuns do aeroporto
O problema não é encontrar outras pessoas usando o benefício. O problema é pagar anuidade, concentrar gastos no cartão e, na hora de embarcar, descobrir que a sala está lotada ou que existe uma fila enorme para entrar.
Já aconteceu comigo de chegar a uma sala VIP da Viracopos e encontrar o espaço completamente cheio. Em outra ocasião, a fila era tão grande que nem consegui acessar o lounge. Você fica esperando, olhando o relógio e calculando o risco de perder o próprio voo.
Também já encontrei salas com poucas opções de assento, salgados frios, saladas frias e um buffet que não justificava o discurso de experiência premium. Se eu preciso disputar cadeira e comer qualquer coisa em pé, a diferença para o terminal comum fica pequena.
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Conhecer o canalQuando todo mundo é VIP, a exclusividade perde o sentido
Durante um período, cartões Black e Visa Infinite passaram a chegar a mais perfis de clientes. Isso ajudou a democratizar um benefício que antes era mais restrito, mas também aumentou a demanda muito além da capacidade de algumas salas.
O lounge passou a funcionar como ferramenta de fidelização. O cartão oferece a sala, a sala atrai o cliente e o banco estimula novos gastos para manter a gratuidade. Só que a promessa de exclusividade não pode ser separada da capacidade física do espaço.
É aí que surge a contradição: o cliente tem um cartão com cara de prêmio, mas precisa cumprir metas para conseguir usar o benefício. E, mesmo cumprindo tudo, ainda pode encontrar lotação, fila ou restrição de acesso.
Os bancos estão dificultando o acesso gratuito
As regras começaram a ficar mais exigentes. No Santander, por exemplo, a página oficial informa que, a partir de julho de 2026, o Santander Unlimited exige soma de R$ 30 mil nas três últimas faturas fechadas para a gratuidade, desde que o cartão esteja ativo e a fatura em dia. Esse valor não deve ser confundido com a regra geral de R$ 3 mil que vigorou para outros produtos no período anterior.
No caso do Santander Unique, AAdvantage Black e GOL Smiles Santander Infinite, a página do banco informa soma de R$ 15 mil nas três últimas faturas fechadas. Cada produto tem uma oferta diferente de acessos e convidados, então não basta olhar apenas para a palavra “Unlimited” ou “Black” estampada no cartão.
O BRB também vincula o acesso às regras de gasto do ciclo de cobrança anterior para cartões elegíveis, e o valor pode depender do produto e do regulamento vigente. Por isso, eu recomendo conferir a página oficial do BRB antes de viajar, em vez de confiar em uma informação antiga ou em um relato de internet.
O mesmo cuidado vale para o C6 Carbon. O C6 informa que a oferta de salas VIP considera acessos compartilhados entre titular, adicionais e acompanhantes, e que as condições podem variar conforme a oferta vigente do cartão. A quantidade de acessos não deve ser presumida apenas pelo nome Carbon.
Nem todo cartão premium entrega a mesma sala VIP
Outro erro comum é imaginar que qualquer cartão Black ou Infinite dá acesso ilimitado a qualquer lounge. O benefício pode estar ligado ao LoungeKey, Visa Airport Companion, DragonPass, Mastercard Airport Experiences ou a uma sala própria do banco.
Além disso, podem existir limites anuais, regras para convidados, necessidade de cadastrar o cartão físico no aplicativo, cobrança por visita e exigência de gasto mínimo. A bandeira, o banco emissor, a variante do cartão e a data de contratação fazem diferença.
Antes de sair de casa, eu verificaria quatro pontos:
- se a sala aceita o seu programa de acesso;
- se o benefício está gratuito ou será cobrado;
- se há limite de acessos para titular e convidados;
- se o lounge informa lotação, fila ou restrição de horário.
As salas VIP da LATAM ainda são um ponto fora da curva
Na minha opinião, as salas VIP da LATAM continuam entre as melhores que encontrei nos aeroportos em que viajo, especialmente em Guarulhos, Santiago e Miami. Em geral, elas entregam uma experiência mais coerente com a proposta de uma sala premium.
Isso não significa que toda sala esteja sempre vazia ou que a experiência seja idêntica em todos os aeroportos. A operação muda conforme o local, o horário e o movimento do dia. Mas, quando comparo com lounges superlotados, a diferença aparece.
Vale a pena enfrentar a fila da sala VIP?
Na prática, não basta ter um cartão premium. Você precisa entender a regra, cumprir o gasto mínimo quando houver, confirmar a disponibilidade e calcular se o tempo de espera compensa.
Se a fila estiver grande e o embarque se aproximando, eu prefiro comer em um bom restaurante na área comum do aeroporto. Às vezes você paga pela refeição, mas compra algo que a sala VIP deixou de entregar: tempo, lugar para sentar e uma experiência minimamente confortável.
O cartão deve ser uma ferramenta, não uma obrigação de consumo. Se você precisa gastar muito para manter um benefício que talvez nem consiga usar, é hora de fazer a conta com calma. A sala VIP só faz sentido quando entrega conveniência de verdade. Caso contrário, ela vira apenas mais uma fila com decoração melhor.
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